Opinião – A ênfase da imprensa sobre os diálogos da Lava Jato

Por Guilherme Kalel

Royal Express – 10/06/2019 12h10

Há tempos escrevo sobre a completa inversão de valores que assola o Brasil.
E continuarei a escrever sobre o tema sempre que julgar pertinente e necessário.
Na noite deste domingo, 9, isso se fez necessário de novo diante ao que aconteceu.

Um site que nunca escutei falar até ontem, chamado Intercept, divulgou conversas privadas em um aplicativo de mensagens, trocadas entre o hoje Ministro Sérgio Moro, e integrantes da Força Tarefa da Lava Jato.
As mensagens foram datadas de anos atrás, quando Moro ainda era Juiz, remontam operações de 2016 a 2018, e os relatos são de pessoas que conversam sobre a operação.
Ilegal? Não.
Nada impede que eles falem sobre o assunto, porque o então Juiz, não determinava o que era feito.
Mas para esquerdistas de plantão, era a prova da parcialidade do Juiz com os casos envolvendo Lula.

De Herói nacional, Moro se tornou carrasco de um ex-presidente, que sim, fez coisas pelo país.
Mas que roubou nesse processo e que por isso, foi condenado por seus crimes.
Os procuradores na conversa, tem direito de opinar falando sobre as provas frágeis.
Posteriormente, essas provas mostraram solidez, e vieram as condenações e a prisão de Lula.
Fato que se pese, a condenação do ex-presidente foi referendada por dois tribunais, acima de Moro.
Não se pode imputar a ele culpabilidade pela condenação e prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Sabe o que também não se pode?
Demonizar a operação, o trabalho desses homens e mulheres da lei, contra a corrupção que durante anos assolou o Brasil, e que ainda assola.
No momento em que a mídia geral deveria estar tratando de temas mais importantes, transformaram o vazamento de um site, na manchete do dia.
Não se preocuparam em saber, como o site teve acesso as conversas, fruto de uma invasão Hacker.
E só quem já foi violado por esse tipo de criminoso digital, conhece bem os estragos que isso pode fazer.

Moro disse que as mensagens foram retiradas de seu contexto.
Eu penso diferente.
Penso que a imprensa deveria estar cobrindo, não as mensagens vazadas de Moro, que não foram crime.
Mas, a tensão que se forma pela queda de braço Bolsonaro X Congresso, na aprovação de créditos suplementares ao governo.
Lembrem-se, se amanhã o Congresso não aprovar o crédito de R$ 248,9 Bilhões para o governo, em julho beneficiários do INSS ficarão sem receber.
O Bolsa Família para em agosto, a economia frágil do Brasil entrará em colapso.
Na minha humilde opinião, com quase 12 anos de experiência no jornalismo, que serão completados em 7 de julho próximo, a cobertura correta para a mídia hoje seria essa.
Mas, ninguém falou até agora disso, se mantiveram nas teorias da conspiração sobre os diálogos de Moro.
De novo, inversão de valores sobre o que é realmente importante no Brasil.

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